Meu querido pai de criação
CLEMENTINO DA SILVA PINTO, aproveito essa oportunidade para lhe dar as minhas
notícias e ao mesmo tempo saber das suas. Quando você faleceu em 1983, lá no
estado do Pará, mais precisamente na Serra pelada, foi o pior dia da minha
vida, você sabe o quanto sofri, mas como você mesmo dizia, tudo na vida passa. Contudo
ainda lembro vários conteúdos das cartas que você me escrevia e da vida que
vivemos juntos; alguns envelopes colei em alguns dos meus livros para preservar
a suas belas letras. Agradeço pela paciência que você sempre teve comigo na
minha infância, pela forma que me protegia e me defendia, pelos elogios que
você sempre me fazia, (que eu era o menino mais bonito do povoado e o mais
inteligente, e eu acreditava cegamente!) AGRADEÇO por você ter me feito o
melhor aluno da escolinha de dona Mendu lá no povoado de Boa Vista, em Bacabal,
agradeço por você ter me ensinado, ainda fora da educação escolar formal, as
quatro operações de conta (somar, subtrair, dividir e multiplicar), AGRDEÇO
pela primeira aula de inglês quando você me ensinou a escrever WASHINGTON; lá
na escola eu era o único aluno que sabia escrever “UÓCHINTON” ; agradeço pelas
pescarias que você me levava; pelos gongos de coco babaçu que você me ensinou a
comer fritos; pelas arapucas que você fazia para pegarmos nambu e siricora; daquele
cavalo que seu Chico Melo, dono da fazenda, lhe deu, você lembra? Ele corria
100 metros e caía no chão, aquele que tinha um defeito nas juntas?! Agradeço pelas belas previsões que você fazia
do meu futuro, deu tudo certo, sou doutor, advogado criminalista, mamãe e meus
amigos mais próximos dizem que sou muito bom, já fiz várias centenas de júris
em São Luis, em Bacabal e em várias cidades do nosso estado, eu falo do mesmo
jeitinho que você me ensinou e dar tudo certo; Você lembra daquele livro que eu
chamava livro de Maria Clara que eu levei um dia para você ver e comprar um
para mim? Que você disse que não existia mais? O professor Benito Andrade me
disse que tem um na sua biblioteca...Puxa! às vezes fico chateado quando me
lembro que você dizia que estava me
ensinando a ler para eu ser um doutor e comprar um carro para irmos na terra
onde você nasceu...que eu ia comprar um JEEP novo para viajarmos, mas você não
esperou...a vida não quis esperar...isso é muito chato...hoje estamos
vivos...amanhã estamos mortos!...sonhos não são realizados...promessas não são
cumpridas...já um montão de livros sobre a vida e a morte e continuo
confuso...não entendo porque você morreu logo...com certeza iríamos passear de
carro, pois você nem sabe!...comprei um carro mesmo como você disse, mas e
daí!? Você não está mais aqui! Você lembra a copa do mundo de 1970, gooooooll
de Jairzinho! Goooooooll de Pelé que ouvimos no rádio do nosso vizinho CHICÃO.
Tudo aquilo mudou, agora assistimos pela televisão e internet, acredite, dá
para ver até as espinhas no rosto dos jogadores é uma imagem perfeita, comprei
uma novinha são baratas e tem de todo preço, o Brasil melhorou muito daquele
tempo para cá...já existe internet é algo inacreditável que usamos aqui através
de umas máquinas chamadas computadores...acontece uma coisa nos Estados Unidos
e sabemos aqui na mesma hora, você acredita!? Acho que a internet vai a todos
os lugares do universo, é por isso que mando esta carta para você através dela.
Se você ler me responda...aguardo sua resposta. Nunca me esqueci de você, meu
eterno pai, amigo e professor. Se você já sabe dessas novidades que contei daí
da eternidade, desculpe-me, pois aqui ainda não sabemos nada sobre a outra
vida. FELIZ DIA DE FINADOS!
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